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O MEU SENTIMENTO É O DE UM GARIMPEIRO, QUE BUSCA DIAMANTES, E QUANDO ENCONTRA NÃO CONSEGUE GUARDAR PARA SI.

07/01/2018

O MELHOR DE NÓS - FERREIRA GULLAR


Sempre que me deparo com uma máquina, mesmo que seja um simples torno mecânico, fico impressionado com o acúmulo de conhecimento, experimentos e trabalho humanos que possibilitaram a sua fabricação.
E digo a mim mesmo: “Se dependesse de mim, esta máquina não teria sido feita”.
É verdade. De mim e todos os poetas, pintores, músicos, filósofos... que jamais seriam capazes – a exceção é Da Vinci – de pensar a realidade em termos práticos, técnicos, com o propósito de resolver problemas de vital importância para as pessoas. Se dependesse de nós, poetas, artistas, filósofos, a humanidade  ainda estaria na idade da pedra.
Faz algumas semanas, passei com o carro em cima de um buraco e uma das rodas empenou. Levei-o a uma oficina e fiquei observando o trabalho do mecânico. Mais uma vez me deslumbrei com a quantidade de conhecimento transformado em tecnologia posta em função para resolver o problema daquela roda empenada. E ficava claro para mim, a cada ação das máquinas e ferramentas, como, ao longo dos anos, pequenas descobertas, inovações,  aperfeiçoamentos, em diferentes campos, foram se encadeando e juntando para tornar mais eficaz e precisa a máquina de hoje.
E isto apenas ali, naquele mínimo campo da tecnologia. O que dizer então das complexas e sofisticadas máquinas que movem a civilização contemporânea?!
É, nós, poetas, não servimos pra nada...
Será mesmo verdade que não servimos pra nada? Seria se tudo o que importasse na vida das pessoas fossem as questões materiais e práticas. Mas não é assim. Os técnicos, os engenheiros, os operários, os inventores, os empresários, para seguirem adiante, necessitam de um outro tipo de combustível que se não extrai do petróleo nem dos átomos: necessitam dar sentido à sua vida, ao seu trabalho; necessitam de poesia, de sonho, de algum tipo de transcendência ou simplesmente de alegria.
A época moderna, particularmente o século XX, caracterizou-se pela confiança na ciência, na técnica, na objetividade e na razão; a contrapartida foi a subestimação dos valores ditos espirituais, particularmente os mais ligados à emoção e à intuição. Se é certo que há uma arte do século XX e que essa arte ganhou peso e visibilidade na sociedade contemporânea, é impossível ignorar o quanto influiu nela a intenção de substituir o poético pelo científico, o intuitivo pelo racional, e como isso contribuiu para a crise a que ela chegou em nossos dias. Pode parecer contraditório o que digo, quando se considera que um dos traços importantes da arte contemporânea é a irracionalidade e o nonsense. A contradição é aparente: os polos opostos se atraem.
Mas o meu propósito aqui não é discutir os problemas da arte contemporânea e sim afirmar a importância crescente da arte – em suas diferentes manifestações – para o homem de hoje. Mais uma vez posso parecer contraditório, pois logo acudirá ao leitor uma indagação pertinente: a arte, em nossos dias, não está sendo cada vez mais substituída pelo entretenimento? não é a música de má qualidade  que prepondera? não é o pop star de duvidoso talento que ocupa o maior espaço na mídia? e isso não se estende também ao próprio campo da literatura?
Tudo isso em grande parte é verdade. E esta é precisamente a razão por que, mais que nunca, devemos valorizar a melhor música, o melhor cinema, o melhor teatro, a melhor pintura, a melhor poesia. Certamente não seremos a maioria, não mudaremos os índices de audiência nem inverteremos a lista dos mais vendidos. O que importa é manter viva a chama da verdadeira arte, que afirma e preserva o que de melhor o homem inventou para tornar-se humano.

15/10/2017

PROFESSOR ATÉ O FIM

Do livro A última grande lição 

- Então, vamos esquecer o epitáfio.
- Não, não. Diga como vai ser.
Ele estufou os lábios. 
- Pensei numa coisa assim: Professor até o Fim.
Esperou que eu refletisse sobre a frase. Professor Até o Fim.
- Que tal?
- bom. Muito bom.


Amei, será meu lema daqui em diante.
PROFESSOR ATÉ O FIM.


13/09/2017

MATEMÁTICA COM POMBOS

Pombos sabem contar e até entender conceitos matemáticos, diz pesquisa

Os pássaros conseguiram entender conceitos abstratos, como identificar a ordem 

crescente dos números ordinais. Até então, para a ciência, apenas primatas tinham demonstrado ter essa habilidade


Pombos são capazes de entender regras numéricas abstratas, habilidade que havia sido verificada apenas em primatas, garante uma pesquisa neozelandesa. Os resultados do estudo, publicado na última edição da revista Science, sugerem que outras espécies animais podem usar um mesmo mecanismo neural para realizar esse tipo de tarefa.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Pigeons on Par with Primates in Numerical Competence
Onde foi divulgada: revista Science
Quem fez: Damian Scarf, Harlene Hayne e Michael Colombo
Instituição: Universidade de Otago, Nova Zelândia
Resultado: Pombos conseguem raciocinar numericamente e organizar objetos em uma ordem crescente. Treinados para contar até três, os animais conseguem continuar contando em troca de recompensas. A habilidade de abstração numérica era considerada privilégio dos primatas.
Os pássaros matemáticos foram treinados por Damian Scarf, psicólogo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia. Durante um ano, ele trabalhou com os animais fazendo com que eles organizassem conjuntos com quantidades de um a três objetos cada.
Os testes eram feitos em uma tela sensível ao toque dos bicos e usavam objetos de diferentes cores e formas. “Eles tiveram de aprender que era o número de objetos que importava”, explica o cientista. Como é comum nesse tipo de pesquisa, os pombos que acertavam os testes ganhavam comida como recompensa. Após serem ensinadas a contar até três, as cobaias foram expostas a conjuntos com até nove itens e conseguiram organizá-los de maneira crescente sem a ajuda dos cientistas. “Eu achei incrível que macacos pudessem fazer isso, então devemos ficar mais impressionados por pombos conseguirem”, afirma a neurocientista cognitiva Elizabeth Brannon, da Universidade de Duke, nos EUA, que mostrou que os primatas conseguiam raciocinar numericamente em um importante estudo de 1998.
“Esses novos resultados mostram que, apesar de uma organização cerebral completamente diferente e de milhões de anos de divergência evolucionária, pombos e símios resolvem esse problema de maneira similar”, completou ela.
É sabido que muitas espécies, como abelhas, formigas e elefantes, podem perceber diferenças numéricas e representá-las mentalmente. A capacidade de raciocinar e aprender o conceito de números ordinais, porém, era conhecida apenas nos primatas – e em todos eles, de lêmures a chimpanzés. Para a equipe de Scarf, porém, o estudo mostra que mais espécies podem demonstrar essa capacidade, possuindo “mecanismos fundamentais” que possibilitam o raciocínio numérico. “A capacidade de representar e usar números provavelmente é generalizada entre muitas espécies animais. Talvez habilidades mais avançadas possam ser encontradas em outras espécies”, afirma Michael Beran, psicólogo comparativo na Universidade do Estado da Georgia, nos EUA.

Da http://veja.abril.com.br/ciencia/pombos-sabem-contar-e-ate-entender-conceitos-matematicos-diz-pesquisa/

21/06/2017

MANHÃ DE INVERNO

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detrás das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fantástica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, lágrimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras úmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o chão recebe o pranto da viúva.

Gelo não cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
Vão subindo as que encheram todo o vale;
Já se vão descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;
Tudo ali preparou co’os sábios olhos
A suprema ciência do empresário.

Canta a orquestra dos pássaros no mato
A sinfonia alpestre, — a voz serena
Acordo os ecos tímidos do vale;
E a divina comédia invade a cena.

Machado de Assis

SOLSTÍCIO










Na astronomia, solstício (do latim sol + sistere, que não se mexe) é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador.
No hemisfério norte o solstício de verão ocorre por volta do dia 21 de junho e o solstício de inverno por volta do dia 21 de dezembro. Estas datas marcam o início das respectivas estações do ano neste hemisfério. 
Já no hemisfério sul, o fenômeno é simétrico: o solstício de verão ocorre em dezembro e o solstício de inverno ocorre em junho.

                      Solar



                          Gal Costa

Venho do sol
A vida inteira no sol
Sou filha da terra do sol
Hoje escuro
O meu futuro é luz e calor
De um novo mundo eu sou 
E o mundo novo será mais claro
Mas é no velho que eu procuro
O jeito mais sábio de usar
A força que o sol me dá
Canto o que eu quero viver
É o sol
Somos crianças ao sol
A aprender e viver e sonhar
E o sonho é belo
Pois tudo ainda faremos
Nada está no lugar?
Tudo está por pensar
Tudo está por criar
Saí de casa para ver outro mundo, conheci 
Fiz mil amigos na cidade de lá
Amigo é o melhor lugar
Mas me lembrei do nosso inverno azul
Eu quero é viver o sol
É triste ter pouco sol 
É triste não ter o azul todo o dia
A nos alegrar
Nossa energia solar
Irá nos iluminar
O caminho

VÁRIOS CURSO SOBRE EDUCAÇÃO